Vitória dos estudantes: Alckmin recua e adia reorganização

Estudantes, no entanto, prometem seguir pressionando até o projeto ser cancelado e substituído por um que traga avanços aos secundaristas

Os estudantes brasileiros tem muito o que comemorar nesta sexta-feira: após muita pressão dos secundaristas paulistas, que ocuparam as ruas e as escolas de todo o Estado, e a onda de solidariedade de todo o país, o governador Geraldo Alckmin anunciou o adiamento da reorganização escolar por um ano. O tucano declarou ainda que abrirá o diálogo com a comunidade escolar para discutir a reforma na educação paulista durante o ano de 2016.

“Entendemos que devemos aprofundar o diálogo. Isso fecha um ciclo que permite a gente ajudar no ensino infantil. Vamos dialogar escola por escola. O ano de 2016, que será o ano de implantação, será o ano de aprofundar o diálogo. Alunos vão continuar na escola que já estudam, não haverá mudança”, declarou Alckmin.

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Para a presidenta da UBES, Camila Lanes, o recuo do governador deve ser comemorado como uma importante vitória do movimento estudantil, mas com cautela. “Adiamento não significa suspensão ou cancelamento. Vamos seguir na luta, organizando o movimento até a reorganização cair de verdade. Ocupar e resistir e só parar quando retroceder”, afirma Camila.

Já para a presidenta da UPES, Angela Meyer, essa conquista de uma grande importância simbólica. “É muito importante porque é a primeira derrota do Estado de São Paulo em anos e é o momento principal que os estudantes secundaristas vão poder debater de verdade a escola dos nossos sonhos. É pela primeira vez que vamos ter espaço para dialogar e defender as nossas propostas”, afirma Angela.

 

Antes do anúncio de Alckmin, na manhã desta sexta, os estudantes foram mais uma vez duramente reprimidos pela Polícia Militar em manifestação que aconteceu na Avenida Paulista e na Praça da República, onde está localizada a Secretaria de Educação. Gás lacrimogêneo e bombas de efeito moral foram arremessadas contra os estudantes.

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Durante essas últimas semanas, os estudantes realizaram diversos atos em todos os cantos do Estado e ocuparam mais de 200 escolas contra o projeto de reorganização, que pretendia fechar 94 unidades escolas e fechar o ciclo de muitas outras. Após anunciar “guerra” contra as ocupações estudantis, a PM invadiu muitas escolas e agrediu e prendeu diversos estudantes.

JÁ VAI TARDE

Junto da reorganização, caiu também o secretário de Educação do Estado de São Paulo, Herman Voorwald, o mentor da proposta que pretendia sucatear a educação paulista.

POPULARIDADE EM BAIXA

O que caiu também nessa sexta foi a popularidade do governador Alckmin, que teve a sua pior avaliação da história, segundo pesquisa do Datafolha. 30% dos paulistas classificam o desempenho do governador como ruim ou péssimo; 40% avaliam como regular; e apenas 28% bom ou ótimo.

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