UBES realiza seu primeiro encontro de negros e negras

Movimentos de combate ao racismo se juntaram aos estudantes no Conubes

A juventude negra é a parcela da população mais vitimada pelas mazelas que fazem do Brasil um dos países mais desiguais de todo o mundo. Nas periferias, na exclusão de oportunidades e de perspectivas de vida, na dura realidade do preconceito racial de norte a sul, os jovens negros vivem sem saber por quanto tempo. O fortalecimento da luta estudantil contra o racismo nos últimos anos levou a UBES a entrar de forma mais forte nesse debate, com a realização do primeiro Encontro de Negros e Negras da entidade, nesta quinta-feira (12), dentro da programação do Conubes em Brasília.

“Participei do movimento estudantil há 20 anos atrás. Na época, só havia brancos. Isso está mudando”, declarou o presidente da União dos Negros Pela Igualdade (UNEGRO) Edson França, um dos participantes da mesa. Ele defendeu a ampliação cada vez maior desses espaços dentro dos grupos de juventude: “Precisamos contar a nossa história, afirmar qual é a cara do povo brasileiro”, completou.

A deputada federal Jandira Feghali (PCdoB) disse que o movimento de negros dentro da UBES é fundamental no atual momento de disputa política “Precisamos compreender que a igualdade de direitos é um imperativo nesse momento e estamos combatendo com um Congresso Nacional que leva a frente uma pauta da idade média”, analisou. A deputada afirmou que o país ainda está muito distante de alcançar a igualdade racial e que é fundamental também fazer uma relação entre a opressão pelo racismo e a opressão de gênero. “Os mapas da violência mostram que o número de mulheres negras mortas só aumenta. Não podemos aceitar isso”.

Já a representante do Coletivo Negro Perifa Zumbi Eloá Santos incendiou o debate com a denúncia das contradições e hipocrisias que pavimentam o discurso da igualdade racial e da miscigenação no país. “A estrutura social é definida pela cor da pele. Somos sempre as pessoas que limpam banheiros, os terceirizados, os atendentes de call center, os que são explorados e têm seus direitos retirados. Quando a polícia entra no ônibus para procurar um suspeito, sempre escolhe primeiro o negro. Esse é o bandido do imaginário brasileiro, não o político branco que tem seu helicóptero apreendido com 400 kg de cocaína”, criticou, sob fortes aplausos dos estudantes, em referência ao inexplicado episódio de apreensão do helicóptero do senador Zezé Perrela no ano de 2013.

O debate também passou por temas como a desmilitarização da polícia militar, o combate à redução da maioridade penal e a necessidade de inclusão dos temas da diversidade racial nas escolas de ensino médio e técnico de todo o país.