SECUNDARISTA É PRESO E AGREDIDO NO ESPÍRITO SANTO POR PROTESTAR CONTRA FECHAMENTO DE ESCOLA

Mesmo com repressão, estudantes ocupam a superintendência e convocam Jornada de Lutas

São Mateus, região norte do Espírito Santo, acaba de se tornar um novo polo de luta dos secundaristas contra o fechamento de escolas e sucateamento do ensino. Na manhã desta segunda-feira (07), após convocar uma assembleia com os alunos da escola Ceciliano Abel de Almeida, o estudante do Instituto Federal do Espírito Santo, e secretário da UMES-São Mateus, Pedro Evêncio, foi preso e agredido pela polícia civil.

“Estávamos na porta da escola mobilizando para ocupação quando levei um empurrão e me colocaram na parede. O policial me algemou e me jogou no camburão. Na delegacia levei tapas no rosto, chute e xingamentos”, relatou Pedro.

Em nota, a UMES e a União dos Estudantes Secundaristas do Espírito Santo (UESES) condenaram a ação truculenta e arbitrária da polícia, denunciando que “essa vem se tornando uma prática comum no estado, evidenciando o despreparo para o diálogo”.

OCUPAÇÃO DA SUPERINTENDÊNCIA E JORNADA DE LUTAS

Além da truculência da polícia, os estudantes denunciaram a estratégia do governo de fechar escolas de maneira arbitrária. “O governo não divulgou oficialmente a medida, está fazendo por baixo dos panos, ligando nas escolas e pedindo para as direções das instituições não aceitarem mais matrículas e remanejar os alunos”, denunciou o presidente da UESES, Luiz Felipe.

Além de piquetes na porta das escolas para conscientizar pais e alunos do “golpe” planejado, os líderes estudantis realizaram no período da manhã um ato em direção à Superintendência Regional da Educação (SER), que neste momento permanece ocupada pelos secundaristas.

“Não vamos desistir, permaneceremos ocupando! Amanhã, marcaremos uma reunião com o Superintendente e o Secretário de Educação para eles nos ouvirem”, finalizou Pedro.

Além do fechamento das escolas, como vem acontecendo em São Paulo, no Espírito Santo os estudantes lutam contra a implantação do programa Escola Viva projeto responsável por aumentar o tempo do período de aula. Apesar de serem a favor do ensino integral, os estudantes declaram que é preciso repensar a estrutura das escolas antes de alterar o currículo.

“O projeto pretende privatizar a educação do estado”, complementa Luiz, que declara convocada a Jornada de Lutas no Espírito Santo.