Ocupar e resistir: “guerra” de Alckmin às ocupações infla o movimento

Estudantes prometem resistir às agressões sofridas nos últimos dias até a reorganização cair

Conforme dito pelo chefe de gabinete da Secretaria da Educação em áudio vazado no início da semana, o governo do Estado iniciou uma verdadeira guerra contra as ocupações escolar nos últimos dias. Escolas tem sido arbitrariamente invadidas, estudantes agredidos, manifestações reprimidas e jovens presos. Contudo, ao invés de dar um fim aos protestos contrários à reorganização escolar que pretende fechar pelo menos 94 unidades no Estado, a ofensiva do governador Geraldo Alckmin tem inflado o movimento.

Na manhã desta terça-feira 1, diversas escolas foram invadidas pela Polícia Militar, como a Gavião Peixoto, na Vila Perus e a Dr. Octávio Mendes, em Santana. Na E.E. Maria José (Mazé), na Bela Vista, a situação foi ainda pior: os policiais invadiram em companhia do diretor da escola, Vladimir Frank, e agrediram diversos estudantes, entre eles o presidente da Umes-SP, Marcos Kauê. “Arrombaram o portão e entraram empurrando e batendo nos alunos, jogando spray de pimenta em todos que resistiam”, relata.

Em ato convocado para a noite desta terça contra a violência vista na Mazé, mais uma vez a PM agiu com truculência. Durante o presto pacífico que seguia pela Avenida 9 de Julho, no centro, os manifestantes foram surpreendidos com balas de borracha e gás lacrimogêneo. Quatro pessoas foram detidas, entre elas a presidenta da UBES, Camila Lanes. “O ato foi duramente reprimido com bombas de gás e vários estudantes foram detidos, relata Camila. 

Na manhã desta quarta-feira 2, a cena se repetiu mais uma vez: cinco jovens foram presos em mais uma violenta ação da PM durante ato que fechou a Avenida Doutor Arnaldo, na região oeste da capital paulista. Outro grupo de estudantes fechou a avenida Giovanni Gronchi, na zona sul da cidade. Na segunda-feira, os estudantes fecharam a Avenida Faria Lima e foram expulsos pela PM.

A presidenta da UBES esteve na manhã desta quarta-feira em assembleia ocorrida na E.E. Moacyr Campos, na zona leste de São Paulo, em mais uma tentativa da diretoria de desestabilizar o movimento dos secundaristas. Para ela, a violência de Alckmin não está apenas no cassetete da PM, mas cotidiana e está presente no sucateamento do Estado, na falta de água n,o atraso das obras do metrô e no fechamento das escolas.

“É essa a forma de diálogo do Alckmin e é justamente por isso que estamos ocupando as escolas. Essa geração já não aguenta mais esse cenário. A educação está sendo tratada da forma mais cruel possível, acabando com qualquer perspectiva da juventude. Isso é um crime. E o posicionamento dos estudantes é resistir e mostrar aos policiais que estamos do mesmo lado: eles também são oprimidos pelo governo. E vamos provar que a Primavera Secundarista é forte e só vai crescer”, conclui Camila.