Assembleia geral delibera: ocupações em Santo André continuam com força total

Cidade já é a terceira região com o maior número de escolas ocupadas contra o projeto de (des)organização

O entra e sai de estudantes movimentou o portão central da Américo Brasiliense na manhã desta quarta-feira (25), em Santo André. Ocupada desde o último dia 17 de novembro, a escola foi ponto de encontro para realização da primeira assembleia geral que reuniu estudantes, pais e professores das dez unidades ocupadas em todo município.

A pauta central discutida entre os relatos dos representantes de cada uma das ocupações foi a decisão de não ceder à proposta de ocupação parcial apresentada pelo governo no último dia 23, durante audiência no Tribunal de Justiça. Em votação, os secundaristas também decidiram continuar ocupados e não comparecer à reunião com a dirigente de ensino que tentaria manobrar o retorno às aulas sem apresentar respostas concretas ao projeto de reorganização.

“É importante reunir nossas escolas, um momento de nos unificar, fortalecer a comunicação e debater. A assembleia nos ajuda fortalecer um ao outro”, diz a estudante do Américo Brasiliense, Gabrielli Andrade.

Ediclécio Melo compareceu à assembleia representando a estadual Oscavo de Paula e Silva, a segunda escola a iniciar ocupação em Santo André que, com a proposta de (des)organização do governo, sofre a ameaça perder o ensino noturno e prejudicar cerca de 300 alunos. “Por isso não aceitamos a proposta de ocupação parcial, é uma tentativa de desmobilizar. Essa é a primeira vez que as escolas podem se unificar, conhecer e lutar por seus direitos”, falou.

Entre os absurdos impostos pelo governador Geraldo Alckmin está o fechamento da centenária escola estadual Professor José Augusto de Azevedo Antunes, instituição que atende a região do Grande ABC desde 1914 e que permanece ocupada desde o dia 16/11 como meio de retaliação ao projeto. Ex-alunos como Michael Henrique têm acompanhado as atividades variadas dentro das ocupações, entre elas oficinas de estêncil, dreadlocks e batalha de rimas como meio de resistência e protesto.

“Fechar a unidade é assinar um atestado de óbito. O prédio do Antunes [o colégio] é patrimônio histórico da cidade, por isso contamos com a grande participação do corpo estudantil e apoio da comunidade. Temos superado os obstáculos de manter a ocupação por meio de uma agenda de atividades educacionais, culturais, de lazer e churrasco comunitário”, conta Michael.

Segundo balanço apresentado na noite desta quarta-feira pelas entidades estudantis, Santo André ocupa a terceira posição entre as regiões com maior número de escolas ocupadas. Atualmente, doze unidades permanecem ocupadas: Américo Brasiliense, Antônio Adib Chammas, Oscavo de Paula e Silva, Parque Marajoara II, Senador João Galeão Carvalhal, Nelson Pizzotti, Professor José Augusto de Azevedo Antunes – unidade Centro e Vila Luzita, Valdomiro Silveira, Wanda Bento Gonçalves e 16 de julho.Assembleia geral delibera: ocupações em Santo André continuam com força total.