Assembleia dos estudantes decide manter as ocupações

Secundaristas seguem em luta até que o cancelamento da reorganização seja decretado oficialmente; leia carta aprovada pela assembleia

Dezenas de estudantes representando mais de 40 escolas ocupadas no Estado de São Paulo se reuniram no início da noite desta sexta-feira na E.E. Caetano de Campos, na Aclimação, para uma assembleia e decidiram de forma unânime manter as ocupações das escolas até que a reorganização escolar seja oficialmente revogada pelo governador Geraldo Alckmin. Leia abaixo carta aprovada na assembleia.

Para a presidenta da UBES, Camila Lanes, os estudantes devem seguir em luta até o fechamento das escolas ser totalmente cancelada e defendeu o projeto da UBES de Reformulação do Ensino Médio e uma nova proposta para a educação paulista.

“Não podemos confiar no Alckmin, os próximos passos precisam ser resistir e ocupar. Só vamos desocupar quando o governador colocar no Diário Oficial pelo fim de vez da reorganização. As próximas semanas serão período de resistência bruta, período de férias, mas resistiremos até o último dia do ano se for necessário”, declarou a presidenta da UBES, Camila Lanes.

A presidenta da UPES, Angela Meyer, adotou o mesmo tom. “Não podemos baixar a guarda, essa luta não está vencida pois não há nenhum documento oficial. As ocupações foram feitas porque queremos uma nova escola”, completou Angela.

Presidente do grêmio estudantil da Caetano de Campos, Bryan Aftimus quer manter a ocupação da sua escola até a vitória completa. “Eu garanto que não só eu, como cada um que está aqui está se sentindo orgulhoso do que conquistamos hoje. Começamos isso juntos e vamos acabar juntos!”, afirmou.

A TV Globo divulgou que um decreto será publicado no Diário Oficial do Estado de São Paulo neste sábado, 6. Acontece também neste sábado uma manifestação dos estudantes contra a reorganização a partir das 14h no vão livre do Masp, na Avenida Paulista. Está marcada uma Audiência Pública para a próxima semana.

Leia abaixo carta aprovada na assembleia.

A ESCOLA É NOSSA!

Os estudantes paulistas de luta venceram hoje uma importante batalha! No dia 4 de Dezembro de 2015, o Governador do Estado de São Paulo anunciou o adiamento da proposta de reorganização das escolas paulistas, uma prova que os secundaristas, que fizeram centenas de atos por todo o estado de São Paulo, e ocuparam mais de 220 escolas, e que resistiram contra essa proposta são vitoriosos.

Não acreditamos na palavra do governador, não podemos baixar a guarda, nossa luta definitivamente não acabou. Não desocuparemos as escolas enquanto Geraldo Alckmin não revogar oficialmente a sua proposta de reorganização e de fechamento das nossas escolas. Caso ocorra oficialmente a revogação da reorganização, e caso os estudantes decidam por desocupar suas escolas queremos efetua-las com segurança, sem correr o risco de nenhuma repressão policial ou perseguições posteriores.

Vencemos a repressão da Polícia Militar, nossos diretores ditadores, as bombas de efeito moral, a falta de água e luz. Vencemos a truculência do governo Alckmin, a intolerância do Secretário Estadual de Educação, Herman. Conquistamos tudo isso pelo amor as nossas escolas e a consciência de que podemos alcançar uma nova escola pública.

Ocupamos e resistimos! Mostramos com muita luta que é possível transformar nossos sonhos em realidade, mostramos que a escola que queremos está longe da escola que temos, mostramos que queremos desde um ensino de mais qualidade até mais participação diária na construção de uma nova escola, uma escola realmente democrática, onde a comunidade escolar tenha voz e suas opiniões sejam realmente consideradas. Afinal, provamos que amamos nossas escolas e é elas que queremos mudar, pois a principal resposta disso tudo é que não tem arrego e se fechar as nossas escolas vamos tirar o seu sossego e, de  fato, tiramos.

A cidadania falou mais alto dentro das ocupações, nós limpamos, cozinhamos, e cuidamos das nossas escolas, fomos protagonistas nos espaços de decisão e mostramos que a escola que queremos é assim: construída com a participação democrática de todas e todos, pois a educação paulista está muito longe da educação que queremos.

Continuaremos em luta, organizados e com muita vontade de mudar a realidade de cada escola pública desse estado. Queremos escolas que correspondam com a sociedade e o século XXI.

O espaço educacional com o qual sonhamos precisa estar conectado com a diversidade da juventude. Somos a juventude que quer mudar o mundo, e com muita irreverência começaremos essa transformação pelas nossas escolas. Vamos conquistar laboratórios para todas as matérias, um material didático que contribua efetivamente para nossa formação, bibliotecas, salas de musica, teatros, quadras cobertas e toda a infraestrutura que sempre sonhamos e agora está mais perto do que nunca conquistarmos.

A quem possa interessar, vamos em frente! Os estudantes secundaristas de São Paulo permanecerão mobilizados até conquistarmos a escola e a educação pública dos nossos sonhos.