A JUVENTUDE PIONEIRA QUE PUXOU O #FORALEVY

Conheça as pautas dos estudantes que acamparam em Brasília (DF) para protestar contra a política de ajuste fiscal e para barrar a redução da maioridade penal

Mais de 30 horas acampados em frente ao Ministério da Fazenda, em Brasília (DF), cerca de 200 estudantes iniciaram a primeira movimentação no país em protesto ao corte de R$ 9 bilhões da educação. Com a simbólica palavra de ordem #ForaLevy, jovens de todo o país protestam desde a madrugada da última quarta-feira (10/06) em repúdio ao ajuste fiscal promovidos pela tesoura do ministro Joaquim Levy.

Nos próximos dias, a ocupação se expandirá para uma agenda de atividades que promete chegar cada vez mais à sociedade. A intenção dos estudantes é ocupar escolas, universidades e espaços públicos para falar sobre a importância de pressionar contra retrocessos. Junto ao corte de verbas, os estudantes falam sobre a luta para impedir a redução da maioridade penal.

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“Estamos acampados aqui desde a madrugada da quarta-feira, fazendo atividades para falar do corte de R$ 9 bilhões retirados da educação e pipaços contra a redução da maioridade penal. Essas são as pautas que trouxeram estudantes de todo país até aqui. Estamos firmes no acampamento por entender que encarcerar é, antes de tudo, criminalizar a juventude negra das periferias que está à margem da sociedade. A luta só termina quando tivermos uma resposta sobre os cortes, principalmente o que atinge a educação”, declarou a tesoureira da União dos Estudantes do Distrito Federal (UESDF), Glória da Silva.

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“Durante dois dias, fizemos blitz na Câmara dos Deputados para que os parlamentares votem contra a redução da maioridade penal. Durante a reunião na Comissão Especial, a segurança da Casa foi agressiva usando spray de pimenta no plenário fechado para dispersar os estudantes. Só queríamos que fosse respeitada a regra de no mínimo 40 sessões para estudar a PEC 171”, comentou a diretora da UBES no Rio Grande do Sul e estudante do Colégio Parobé, Fabíola Loguercio. “Sabemos que o presidente Eduardo Cunha quer acelerar o processo, mas nessa quinta-feira (11), além do adiamento da votação, soubemos da possibilidade de reduzir a idade apenas para crimes hediondos. Apesar do retrocesso, estamos avançando na pauta”, sinaliza a jovem.

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A universitária do curso de Serviço Social, da Universidade Federal Fluminense (UFF), Bruna Gabriela, conta que a mobilização para ocupar Brasília começou a cerca de dois meses, com o anúncio do corte.

“Onde estudo, a obra do prédio está parada por falta de dinheiro para pagar as dívidas. Diante do anúncio do ministro e para impedir mais retrocessos, achamos que após o 54º Congresso da UNE seria o momento ideal. Reivindicamos os nossos direitos, para que não se corte nenhum centavo da educação, mas que faça a taxação das grandes fortunas e que se for para cortar, que seja dos banqueiros”, esclareceu Bruna.

 

Os também estudantes da UFF Simone e Cauã, membros do Centro Acadêmico e do DCE da instituição, montaram sua barraca em frente a entrada principal do ministério. “Ontem saímos vitoriosos após conseguir impedir a votação da PEC 171 na Comissão Especial. Mesmo que o Mistério da Educação proponha mais investimentos, é o Ministério da Fazenda que vai ou não aprovar, por isso levantamos acampamento, em defesa da educação”, disse Simone.

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Iago Montalvão, estudante de História da Universidade Federal de Goiás e ex-diretor da UNE, reafirmou o eixo central do movimento.

“Nosso intuito é combater essa política de ajuste fiscal. Achamos que não se pode cortar direito dos trabalhadores e de áreas centrais para o desenvolvimento do país e da juventude como a educação, a ciência e a tecnologia. Precisa tirar dos ricos, taxar as grandes fortunas e os bancos. Precisamos inverter essa lógica, as próprias universidades têm sofrido com esses cortes. Após tantos avanços como a conquista do PNE e dos royalties para educação, queremos continuar com mais investimentos, que os ricos paguem pela crise”, exclamou Iago.

 

De Brasília, Suevelin Cinti.