A greve continua: 23 dias de resistência em defesa da educação paranaense

Presidenta da UPES, Camila Lanes, fala sobre os encaminhamentos da greve no Paraná

Iniciada no dia 9 de fevereiro, os professores da educação permanecem em greve e acampados no Paraná. Contra o desmonte na educação, o objetivo da categoria é pressionar o governo do estado a não aprovar um pacote de medidas que afeta direito dos trabalhadores, o chamado “pacotaço”.

Sobre o pacote ​que​ afeta ​diretamente ​os professores, a presidenta da União Paranaense dos Estudantes Secundaristas (UPES), Camila Lanes, falou ao site da UBES como anda a paralisação que dura vinte três dias e que conta com a mobilização de outras 16 categorias.

A líder estudantil comenta a participação da juventude na luta dos professores incorporada pelos estudantes que ​permanecem ​acampados. “Umas das bandeiras que vamos puxar na Jornada de Lutas que acontece em março é a CPI do endividamento do Estado, pois o Paraná está entre os que mais arrecadaram impostos nos últimos quatro anos”, declara, criticando o ‘pacotaço”.

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Leia entrevista

UBES: Sabemos que a votação do “Pacotaço” foi o estopim para o início da greve. Essa foi a raiz da greve?

CAMILA: A votação na Assembleia Legislativa de um pacote de medidas que atinge diretamente o direito dos trabalhadores paranaenses, especialmente dos professores, foi o que deu início à movimentação da greve. Sabendo que havia um grande risco do governo aprovar um projeto responsável por concluir um desmonte pedagógico, no final do ano passado o sindicato decidiu não paralisar para não prejudicar o fim do ano letivo, mas os professores entraram em alerta.

Também no ano passado, a educação sofreu com outros problemas. O deputado estadual Luiz Romanelli (PMDB) apresentou projeto que retirou as eleições diretas para diretores das escolas, o governador não cumpriu o compromisso com o Programa de Desenvolvimento Educacional (PDE), nem mesmo com o plano de carreira dos professores e de outros setores que fazem com que a escola funcione.

UBES: Qual é a situação hoje dos professores?

CAMILA: Estamos em greve e acampados há vinte e três dias. Para os professores, há um sentimento de resistência. A posição é de que a greve não vai acabar, eles querem os seus direitos, até agora foi pago as férias atrasadas e os atrasados dos profissionais não efetivos. Os professores não retornaram porque o governo tem uma dívida com a educação paranaense, não só o ensino médio e fundamental, mas também com o ensino superior. Estamos falando de uma dívida que chega a 250 milhões.

UBES: Como foi e o que simbolizou a retirada do “Pacotaço”?

CAMILA: Quando o projeto foi apresentado já houve um tencionamento por ser votado como proposta sem a maioria dos deputados analisarem os projetos -um que fala da previdência social e o outro que tirava direitos dos professores. Para impedir, ocupamos a assembleia por três dias logo depois de descobrirmos que uma comissão geral iria acelerar a votação dos projetos. O “pacotaço” só foi retirado porque o secretário de Segurança Pública, Fernando Francischini,tentou realizar a votação com os deputados da situação do governo no refeitório da assembleia, entrando na casa dentro dos camburões do Choque.

Foi a gota d’ água, a greve que era dos professores hoje é de outras categorias atingidas pelos descomprometimento do governo do Paraná.

UBES: Qual é a situação da greve hoje? Há previsão de novos encaminhamentos?

CAMILA: Há uma crise eminente no Estado, só que ela não começou agora. Estamos no 23º dia e sabemos que a greve vai continuar. Além da paralisação, os colégios não tem estrutura física e nem financeira para iniciar as aulas.

UBES: Qual papel os estudantes tem cumprido?

CAMILA: O papel dos estudantes é conscientizar os grêmios para que os estudantes entendam que não é apenas continuação das férias, e, sim, uma greve importante. Estamos com quatorze barracas acampadas na tenda que nomeamos carinhosamente de “Acquaville da Juventude”. Queremos chamar ainda mais estudantes, pois sabemos que além dos professores, os estudantes também são prejudicados pelo sucateamento na educação que o governo tem feito há anos.

Umas das bandeiras que vamos puxar na Jornada de Lutas é a CPI do endividamento do Estado, pois o Paraná está entre os que mais arrecadou impostos nos últimos 4 anos e hoje não tem dinheiro para pagar os educadores, os agentes penitenciários, de saúde e universidades.

Na nova assembleia que acontece na quarta-feira (04/03), estamos tentando articular a participação dos estudantes na assembleia para conseguir transmitir ao vivo.

Da Redação