Reunião de diretoria da ubes convoca 14º Coneg e paralização nacional

No último dia 23 de julho, a União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (UBES), após seu 12º Encontro Nacional de Escolas Técnicas (ENET) realizou reunião com a diretoria nacional da entidade para decidir a agenda dos próximos eventos. Em carta de resolução aprovada, os diretores convocaram o 14º Conselho Nacional de Entidades Gerais da UBES (Coneg) e a paralisação na semana de comemoração do Dia dos Estudantes.

Pautada pela Reformulação do Ensino Médio que perpassa as lutas mais atuais do movimento secundarista, a carta aponta diretrizes que defendem mais investimento em uma educação capaz de subsidiar a mudança na estrutura física e organizacional da escola. Desde a valorização dos professores ao direito do Passe Livre Estudantil, os interesses do secundarista brasileiro indicam um “novo ensino médio que pede passagem” com a cara dos estudantes.

Leia abaixo a carta aprovada e fique por dentro das bandeiras de luta da UBES que mobilizarão estudantes e escolas secundaristas por todo o Brasil no segundo semestre de 2013.

 

UM NOVO ENSINO MÉDIO PEDE PASSAGEM

Abrir caminhos, serrar fileiras e garantir que esse ensino médio falido e assistido de perto na sala de aula brasileira seja trancado no passado. A escola do século 21 precisa abrir portas para um país que coloque a Educação como pauta de primeira ordem no país. Para isso, o financiamento irremediável de 10% do PIB, 100% dos royalties do petróleo e 50% do Fundo Social do Pré Sal investidos em educação é a linguagem única que dialoga com a construção da escola que a gente quer!

Para isso, precisamos de passe livre para construir uma escola que seja engrenagem, cumprindo papel no desenvolvimento do país. Precisamos da Reformulação do Currículo Ensino Médio com a cara da nossa juventude, é necessário relacionar o ensino da sala de aula com a prática do cotidiano, em um cenário contemporâneo que nos exige quebrar os tabus em questões que são constantes nos nossos dias.

Em tempo integral! Mais tempo e mais qualidade na escola para sair do ranking que aponta o Brasil como o país que a galera fica menos tempo na escola. Se a estrutura for boa e o currículo atrativo é possível defendermos que todo estudante passe 7h diárias na escola!

A escola passa longe de debater sexualidade, política, drogas, gravidez na adolescência, orientação vocacional, a tecnologia parece privilégio. A forma que as salas de aula se organizam, como as aulas são ministradas, o que somos obrigados a vestir, os acessórios que somos proibidos de usar e o nosso projeto pedagógico só tem reforçado uma ideia de uniformização e padronização das pessoas suprimindo a identidade e individualidade que estamos desenvolvendo agora e que ajuda a nos definir.

Queremos o inverso! Queremos a escola que estimule e canalize nossa energia e identidade, que nos estimule a descobrir nossos talentos, gostos e aptidões. Com arte, esporte, a realidade do mercado de trabalho, o aprendizado de ofícios básicos como domínio da internet, elementos de gestão administrativa, conceitos básicos de mecânica e etc. Queremos tudo isso como condição básica, aprendida e praticada dentro das nossas salas de aula.

Pra isso devemos reformular totalmente o ensino médio, defendemos uma Base Nacional Comum com Parte Diversificada, com matérias que devem se reorganizar em áreas de conhecimento comuns e em disciplinas eletivas que valorizem a vocação da região em que está inserida. A escola não pode ser tortura nos dias de chuva, nos dias de calor! Queremos estrutura básica, desafio que vai desde um ambiente limpo, alimentação adequada, quadras poliesportiva, laboratório de química, física, biologia e etc.

A nossa galera defende bibliotecas e salas de computadores. Somos a galera que defende bolsas de permanência!

Nessa nova realidade, a nossa voz e participação será representada pela gestão democrática! O diretor da escola não é o diretor da prisão, temos que garantir o livre pensamento, organização e participação para garantir a nossa representatividade e direitos na escola. Devemos pensar os Conselhos Escolares como espaços de participação direta e deliberativa; não aceitamos ditadores, nosso diretor deve ser a expressão das vontades de toda a escola, deve se comprometer em representar a todos e respeitar a autonomia dos grêmios e das organizações sindicais.

Professor de qualidade é professor valorizado, os problemas da escola brasileira não são cruéis só conosco, os professores também sofrem. Receber pouco, trabalhar em diversos turnos e escolas diferentes, com material didático e defasado não dá. Cada professor deve ter oportunidade de se reciclar e especializar permanentemente. É necessário estabelecer limites de estudantes por sala de aula.

Se o Brasil precisa de trabalho a escola técnica também tem que ter minha cara! A escola técnica cresceu e não pode parar de crescer e se relacionar com as necessidades de cada cidade, estado e no Brasil. Devemos valorizar as vocações regionais; estágio e a perspectiva no mundo do trabalho com qualidade e com remuneração justa; pensar em políticas sérias de estímulo ao 1º emprego de qualidade.

A educação não resiste mais aos muros, precisamos extrapolar os limites das grades, o conhecimento que nos interessa não está no quadro de giz! Ele está em cada biblioteca e na praia, ele está  na internet e no jogo do Brasil, física não acontece sem a química, a biologia, a história que não nos contam é a história de lutas do nosso povo e está registrada em cada rua das grandes cidades e os jovens não podem ser relegados às periferias sem acesso aos bens culturais e às cidades.

O Passe Livre Estudantil aparece como necessidade urgente dentro desse processo de reformulação do ensino médio, é, sem dúvidas, a próxima batalha para dinamizar as aulas e comprovadamente facilitar o aprendizado. O Futuro do Brasil pede Passagem, não basta a escola ser tudo isso, temos que chegar até ela, e pensar que a educação se dá principalmente, mas não somente na escola. A escola deve ser um ensaio para a vida, portanto museus, bibliotecas, pontos turísticos importantes da cidade, jogo de futebol e cachoeiras devem ser consideradas tão importantes como os deveres de casa. Sem restrições do direito de ir e vir, o que precisa ser trancado é o projeto falido que assistimos, sendo assim, o passe livre deve ser irrestrito e sair do lucro dos patrões, nem um centavo da educação para os empresários do transporte!

É nessas margens que a diretoria da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (UBES) convoca seu Conselho Nacional de Entidades Gerais (CONEG). Vamos explorar no fórum da UBES o debate de cada um desses temas e alavancar passo a passo esses alicerces para um novo ensino médio que pede passagem.

Antes disso, vamos firmar o rumo desse destino com uma paralisação nacional, que simbolicamente, no dia 13 de agosto – semana do Dia do Estudante, tranca com cadeado e corrente o cenário que se esgota, o ensino médio falido das escolas do Brasil. Os estudantes vão trancar as escolas e abrir caminho para um futuro em que quem tá fora quer estar dentro, avançando para o caminho que a gente já sabe como construir.