Debate de mulheres apresenta ideais por uma educação emancipadora

Centralizando na importância da construção do pensamento nas escolas, mesas de debate formulam meios de combater machismo

Entre a programação que reuniu cerca de mil estudantes em Brasília, o grupo de debate do 14º Coneg da UBES que discutiu o preconceito de gênero no último dia 7 de setembro foi responsável por lotar a sala ‘Lugar de mulher é onde ela quiser’ durante o evento secundarista. Partindo da lógica que o preconceito é construído da mesma maneira que uma faca é afiada, os estudantes que comporam as discussões colocaram em pauta a realidade cotidiana de milhares de jovens vítimas do machismo.

Diversos depoimentos evidenciaram o posicionamento dos estudantes que cotidianamente enfrentam o impacto do preconceito de gênero vindo de raízes sutis. Segundo diversas intervenções, os jovens já compreendem que a obrigatoriedade de separar os garotos nas filas escolares, a divisão dos esportes – subentendidos como femininos ou masculinos se repetem nos comportamentos sociais dentro e fora da escola.

No âmbito político, a pressão política das bancadas chamadas conservadoras foi destacado pela debatedora de uma das mesas, deputada federal Erika Kokay (PT-DF), que evidenciou a necessidade de estabelecer direitos de igualdade na lei para combater a inferiorização latente nas relações. “Não adianta querer políticas publicas se o Estado responsável por elas é preconceituoso. Um estado preconceituoso veta, vai contra, poda ações em respeito às diversidades”, argumenta.

Maria das Neves, Diretora de Cultura da UNE e Diretora de Jovens Mulheres da União Brasileira de Mulheres (UBM) destaca que a luta contra a opressão às mulheres, o machismo e a todo tipo de espetacularização precisa receber o apoio dos meninos. “A luta por direitos e respeito à mulher é de todos”, conclui citando Marx. “A opressão do homem com o homem começa quando o homem oprime a mulher”.

Presente na sala, Ananda, professora no Rio Grande do Sul afirma que “as mulheres não querem tomar o lugar dos homens. Não é uma guerra dos sexos como a grande mídia coloca!”, segundo a profissional, as mulheres querem apenas seu lugar, seu direito de escolha e respeito como qualquer outra pessoa.

A construção de uma escola emancipadora

O debate proposto na grade da programação do Coneg trouxe ao centro das discussões o enfrentamento da UBES em levar à pratica das escolas os assuntos ligados diretamente aos desafios das mulheres, práticas preventivas ensinadas entre as disciplinas como o tema sexualidade. O movimento estudantil, em suas pautas, compreende a necessidade de quebrar os tabus nas escolas, de maneira a relacionar essa aprendizagem e a relacionar diretamente ao sucesso da orientação educacional, de maneira a deixar de lado as raízes conservadores que não permitem a abordagem do assunto. Um exemplo é a gravidez precoce, principal motivo da evasão escolar.

Viviane Gomes, conselheira do Conselho Nacional de Juventude (Conjuve) e membra da Confederação das Mulheres dos Brasil (CMB) acrescenta ainda a necessidade da “educação como base de sustentação. O país tem condições financeiras para isso, falta mobilizar para que aconteça”.

O combate ao machismo e à homofobia são lutas diárias em debates fortemente arguidos pelos estudantes que comporam a mesa de discussão. Veja um dos trechos de encerramento do tema durante o 14º Coneg.