Corrupção no Metrô e CPTM de SP leva entidades à Assembleia Legislativa

A suspeita de cartel foi denunciada pela Siemens, por meio de um acordo de leniência, ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), empresa também envolvida.

A presidenta do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp), Maria Izabel Azevedo Noronha, a Bebel, e representantes da União Paulista de Estudantes Secundaristas (UPES) e da União Estadual dos Estudantes (UEE) estiveram na última terça-feira (20) na Assembleia Legislativa para pressionar deputados a assinar o pedido de CPI para apurar a formação de cartel nas licitações do Metrô e da CPTM.

O cartel foi denunciado pela Siemens, por meio de um acordo de leniência, ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), subordinado ao Ministério da Justiça. A presidente da União Paulista dos Estudantes Secundaristas (UPES), Nicoly Mendes, comenta que, par a par, as entidades foram até a assembléia fazer uma blitz nos gabinetes de todos os deputados e nas comissões, para saber quantos parlamentares já assinaram a CPI do Propinoduto no metrô de São Paulo.

“Os estudantes e professores querem a CPI, afinal com o dinheiro que foi desviado daria pra construir escolas, melhorar a infraestrutura das que já existem ou até garantir creches para aquelas crianças que hoje não têm vaga; poderia ainda ter melhorado a qualidade do transporte, entre tantas outras coisas”, acrescenta.  As entidades protocolaram uma carta em cada gabinete e aguardam, pressionando, a respostas dos deputados.

Maria Izabel participou de reunião da Comissão de Infraestrutura, na qual entregou carta aos parlamentares do colegiado pedindo maior transparência na administração do estado. “Queremos o número mínimo para instalar a CPI para investigar os cerca de R$ 9 bilhões desviados”, diz a sindicalista.

Possivelmente na terça-feira (27) da próxima semana o sindicato e outras entidades falarão com deputados no Colégio de Líderes da Assembleia.

Ainda não há data para iniciar os depoimentos do secretário de Transportes Metropolitanos, Jurandir Fernandes, e dos presidentes do Metrô, Luiz Antonio Carvalho Pacheco, e da CPTM, Mário Manoel Rodrigues Seabra Bandeira, para prestar esclarecimentos sobre as denúncias de superfaturamento e pagamento de propina.

Na semana passada, as comissões de Infraestrutura e de Transportes da Casa aprovaram requerimentos para convidar essas e outras autoridades. As datas dos depoimentos devem ser definidas nos próximos dias. O secretário Jurandir Fernandes deve ser o primeiro a depor. A data de 28 de agosto pode ser a escolhida, mas depende da agenda do secretário. Por acordo entre as lideranças da base governista e da oposição, as autoridades foram convidadas, e não convocadas, e não são obrigadas a comparecer.